Servidores Dedicados e Planos de Hospedagem

    Um servidor dedicado é, como o nome sugere, uma máquina só sua, que, além de hospedar os sites da sua empresa, pode ser usado para fornecer serviços, como servidores virtuais e planos de shared hosting. Com um servidor dedicado e conhecimentos sobre a configuração do Apache, Bind e outros serviços, você pode até mesmo abrir sua própria empresa de hospedagem e prestação de serviços. Este tutorial oferece uma visão aprofundada do mercado de servidores dedicados e dos planos de hospedagem de uma maneira geral, que mostra como esta indústria funciona e como você pode conseguir os melhores planos.

    Carlos E. Morimoto
     

    Ao instalar um servidor de rede local, você precisa apenas instalar o sistema, configurar os serviços e ligar o servidor nos switches da rede local. Dependendo da importância do servidor, você pode querer adicionar camadas adicionais de redundância de forma a torná-lo mais confiável, garantindo que ele possa trabalhar por longos períodos sem imprevistos, ou até mesmo terceirizar a administração, contratando uma empresa que venda soluções e preste suporte. Entretanto, quase que invariavelmente, o servidor será hospedado "in-house", ou seja, dentro da própria empresa.

    Quando falamos em servidores de Internet, entretanto, o cenário muda um pouco, já que um servidor web precisa ser conectado a um link rápido, dedicado, que fica fora do orçamento da maioria das empresas.

    É até possível manter um servidor dedicado ligado a uma conexão via ADSL, o que permitiria instalá-lo dentro da rede, sem custos adicionais, mas essa é uma solução amadora e bastante deficiente, pois uma linha ADSL é lenta e não é muito confiável. Conforme o tráfego do site cresce, o acesso ao site começa a ficar cada vez mais lento e, pior, o acesso à web por parte dos usuários da rede local também, já que o link ficará saturado pelo servidor.

    A solução "profissional" e recomendada é contratar um plano de hosting dedicado, com o servidor localizado em um datacenter seguro. Existem inúmeras empresas de hospedagem que oferecem servidores dedicados com quotas generosas de tráfego a preços baixos, é apenas questão de escolher um serviço que ofereça a melhor relação custo-benefício. Se você for somar todas as despesas referentes à manutenção do servidor, incluindo o custo da máquina, a energia elétrica gasta e o aluguel do link, alugar um servidor dedicado sai quase sempre muito mais barato do que manter servidores locais.

    Um datacenter é um ambiente construído especialmente para hospedar servidores. Além de ser ligado a pelo menos dois links independentes (de forma a garantir a operação mesmo que um dos links caia), um datacenter conta com salas refrigeradas, instalações elétricas redundantes, geradores, sistemas contra incêndio, sistemas de segurança local e assim por diante, de forma a garantir a operação e a segurança dos servidores.

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    Sala principal de um novo datacenter, ainda com muito espaço vago

    Antigamente, na época dos mainframes, era comum que cada empresa montasse seu datacenter, variando em nível de sofisticação, mas, atualmente, temos empresas especializadas, que prestam este serviço a outras.

    Na maioria dos casos, toda a administração remota do servidor acaba sendo feita remotamente, principalmente utilizando o SSH. Você pode administrar dezenas de servidores diferentes, espalhados pelo mundo confortavelmente, a partir do seu desktop. É nele que você vai rodar o navegador, leitor de e-mails, etc. Nos servidores propriamente ditos, você acaba usando apenas os comandos de terminal e um editor de textos para editar os arquivos de configuração. Na maior parte do tempo, seu ambiente de trabalho será algo parecido com o screenshot abaixo. :)

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    É por causa disso que utilitários de configuração como o Webmin e o Swat são projetados para funcionarem através do navegador. Isso permite que eles eles fiquem ativos mesmo que o modo gráfico esteja desativado e consumam poucos recursos do sistema.

    Tudo começa com as operadoras (carriers), responsáveis pelos links de acesso. Em alguns casos, a própria operadora pode montar seu datacenter, evitando intermediários, mas o mais comum é que ele seja mantido por uma segunda empresa, que monta a estrutura necessária e contrata os links.

    Por ser uma estrutura muito cara, o espaço no datacenter é cuidadosamente dividido. Cada unidade corresponde a uma das baias de um rack de servidores. Um rack de tamanho padrão possui 42 baias, e cada servidor pode ocupar de uma a quatro baias, de acordo com o tamanho do gabinete:

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    Isso abre espaço para a existência de diversas camadas de atravessadores, que revendem espaço ou serviços. No nível 1 teríamos as próprias operadoras que fornecem os links, no nível 2 a empresa responsável pelo datacenter, no nível 3 uma empresa de hospedagem que loca racks inteiros, instala e mantém os servidores, no nível 4 teríamos uma empresa menor, que loca os servidores já instalados e os fornece aos clientes individuais e, no nível 5, empresas ainda menores, que locam um ou mais servidores dedicados e vendem planos de hospedagem, ou servidores virtuais. É por isso que existem tantas opções de serviços e tanta variação de preços. Você pode imaginar uma pirâmide similar a esta:

      1- Operadora (carrier), que fornece os links.
      2- Empresa responsável pelo datacenter. Contrata os links da operadora, mantém a estrutura do DC e vende espaço para instalação dos servidores.
      3- Empresa de hospedagem. Aluga o espaço, instala os racks e os servidores e loca os servidores individuais.
      4- Revendedor. Loca os servidores (normalmente obtendo descontos por causa dos volumes) e os revende, incluindo suporte ou outros serviços que justifiquem o aumento no preço em relação aos servidores fornecidos diretamente pela empresa de hospedagem.
      5- Prestador de serviços. Loca alguns servidores e revende planos de hospedagem, servidores virtuais ou outros serviços, que permitam fracionar um único servidor entre diversos clientes.
      6- Atravessador. Apenas revende serviços prestados por outros, recebendo comissão.

    Como em outras áreas, quanto mais alto na pirâmide você conseguir se posicionar, melhor. De uma forma geral, você entra no terceiro nível, locando um servidor dedicado diretamente a partir da empresa de hospedagem e, se for o caso, revender planos de hospedagem e outros serviços utilizando o servidor (fazendo assim o papel de revendedor ou prestador de serviços).

    Em muitos casos, as camadas se interpolam. Em alguns casos a própria operadora pode decidir montar um datacenter e invadir o nível 2 da pirâmide, ou a empresa responsável pelo datacenter pode decidir começar a atender os clientes individuais, invadindo os níveis 3, 4 e 5.

    Dependendo do volume de servidores que você desejar hospedar, pode ser vantajoso montar as máquinas e locar diretamente o espaço no datacenter (nível 2) em vez de locar os servidores implantados por outra empresa.

    Com relação aos serviços, podemos dividir os planos em três categorias: servidores dedicados, servidores virtuais e shared hosting. Vamos a eles.


     

    Servidores dedicados

    Um servidor dedicado é, como o nome sugere, uma máquina só sua, que, além de hospedar os sites da sua empresa, pode ser usado para fornecer serviços, como servidores virtuais e planos de shared hosting. Com um servidor dedicado e conhecimentos sobre a configuração do Apache, Bind e outros serviços, você pode até mesmo abrir sua própria empresa de hospedagem e prestação de serviços.

    Existem várias empresas especializadas neste tipo de serviço, que oferecem desde servidores baratos, por de US$ 80 a US$ 150 mensais, até servidores mais parrudos, de acordo com suas necessidades e seu bolso. Alguns exemplos de empresas de hospedagem com preços competitivos, sediadas no exterior são:

    http://theplanet.com
    http://www.serverbeach.com
    http://www.layeredtech.com

    Em qualquer uma delas, você paga usando um cartão de crédito internacional. Os pagamentos são tratados como transferência de fundos e não como compra de produto; por isso, não são cobrados os impostos normais de importação, apenas a conversão do câmbio, a CPMF e os 2.38% de IOF.

    Devido à questão das fraldes, muitas empresas passaram a exigir cópias de um documento de identificação e do cartão de crédito usado para o pagamento, por isso não se surpreenda se lhe solicitarem fotos dos documentos antes de concluir o pedido.

    Com a popularização dos sistemas de pagamento via web, muitas empresas (como a Layeredtech) passaram a aceitar pagamentos via paypal (http://paypal.com), o que permite assinar o serviço sem precisar expor o número do cartão de crédito.

    Temos em seguida as empresas nacionais, que oferecem o diferencial de hospedarem os servidores no Brasil, ligados diretamente aos links das operadoras nacionais. Isso garante que, na maioria dos casos, o acesso aos sites hospedados (para usuários do Brasil) seja melhor, principalmente com relação ao tempo de resposta. Alguns exemplos são:

    Os dedicados hospedados no Brasil acabam saindo sempre muito mais caro, como você vai rapidamente perceber ao comparar os planos:

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    Pode parecer estranho que os datacenters com melhor custo benefício estejam justamente nos EUA, onde a mão de obra é mais cara, mas a questão principal aqui não é o custo da mão de obra, mas sim o custo dos links. Os links nacionais são muito mais caros, o que prejudica a competitividade de qualquer DC nacional. Com isso, as empresas nacionais são obrigadas a concorrer com base na qualidade do serviço e do suporte, e não tanto em relação aos preços.

    Existem ainda empresas brasileiras que locam servidores hospedados no exterior, na maioria dos casos revendendo planos oferecidos pela ThePlanet, ServerBeach ou pela Layeredtech, apenas intermediando os pagamentos e oferecendo alguma camada de suporte. Nesses casos é melhor ir diretamente à fonte, eliminando o atravessador.

    Voltando ao assunto principal, ao contratar um dedicado, você recebe um servidor com a distribuição Linux de sua escolha, com dois (ou mais) IP's válidos e um link rápido, normalmente 10 ou 100 megabits, com opções de links de até um gigabit, dependendo do DC escolhido.

    Via de regra, os DC's são ligados em links muito rápidos, sempre com pelo menos dois links diferentes, de forma a garantir a redundância em caso de problemas com um deles. O início de 2008, a ThePlanet sozinha possui 8 datacenters e links de diversas operadoras, que totalizam 120 gigabits de banda (http://blog.theplanet.com/?s=network). Com o barateamento dos links e o crescimento da Internet de uma forma geral, números como esses tendem a se tornar cada vez mais comuns.

    Os links são ligados em roteadores, que os distribuem para os switches onde estão os servidores. Entra aqui a idéia do compartilhamento de recursos: desde que o link principal não esteja saturado, a única limitação fica sendo a velocidade da porta do switch, daí os 10, 100 ou 1000 megabits de link.

    Na maioria dos planos, existe uma cota mensal de tráfego, de geralmente 1 ou 2 terabytes, o que é bastante coisa, considerando que 1 terabyte de tráfego mensal equivale a um link de 3.3 megabits, saturado o tempo todo. Para sites de downloads, ou com um tráfego muito grande, existe a opção de pagar por um link "unmetered", onde não existe restrição de transferência. Nesse caso, são normalmente usados links mais baratos, que resultam em um ping mais alto e downloads mais lentos. Por isso, essa nem sempre é uma boa idéia.


     

    Termos e recursos

    Alguns termos importantes com relação aos serviços que você deve ter em mente ao pesquisar e comprar planos:

    Setup Fee: É uma taxa adicional, cobrada apenas ao primeiro mês, que corresponde ao serviço de configuração inicial do servidor.

    Ready to go: É um servidor já pré-configurado, que está disponível para contratação imediata, diferente da maioria dos planos, onde existe um período de até 72 horas para a configuração do servidor, antes da entrega. Em geral, nestes planos não é cobrada a taxa de setup.

    Monthly Charge: Taxa adicional cobrada todos os meses. É normalmente aplicada a itens adicionais e upgrades no servidor, como ao solicitar um segundo HD, por exemplo. Em oposição temos o "One Time Charge", que é uma taxa cobrada uma única vez.

    Bandwidth: Normalmente usamos o termo "largura de banda" para descrever a velocidade da conexão, mas no caso dos servidores dedicados o termo é usado para indicar a quota de tráfego. Um servidor com "2000 GB of bandwidth" não é um servidor com um link de 2 TB, mas sim um com uma quota de tráfego mensal de 2 TB, o que corresponderia a um link de 6.17 megabits usado 24 horas por dia. Ultrapassar a quota de tráfego pode custar bem caro, pois o tráfego adicional é cobrado por megabyte transferido.

    Uplink Port Speed: Corresponde à velocidade da porta do switch onde o servidor é ligado, ou seja, corresponde à velocidade máxima do link usada por ele. Normalmente você tem a opção de usar uma porta de 10, 100 ou 1000 megabits (alguns DCs, como o ThePlanet oferecem também velocidades intermediárias, como 20 e 50 megabits). É importante notar que a velocidade da porta não está relacionada à quota de tráfego. Usando uma porta de 100 megabits, por exemplo, você garante que o servidor poderá usar mais banda nos momentos de pico, mas se for ultrapassada a quota mensal de tráfego, você precisará pagar pelo tráfego adicional.

    Unmetered Bandwidth: Corresponde a um plano com transferência de dados ilimitada, onde o único limite é a velocidade da porta no switch (10, 100 ou 1000 megabit). Os planos unmetered normalmente utilizam links da Cogent ou outro carrier de segunda linha, por isso não espere tempos de resposta muito baixos. Estes planos são interessantes para sites de downloads e para servidores que disponibilizam grandes arquivos (mirrors usados para distribuir imagens ISO de distribuições Linux, por exemplo).

    Managed Hosting: A maioria dos planos de servidores dedicados são "Unmanaged", o que significa que você fica responsável por toda a configuração do servidor, com exceção da configuração inicial feita antes da entrega. Os planos de Managed Hosting incluem suporte técnico e serviços adicionais de personalização, mas em compensação são bem mais caros.

    Private Rack: Como o nome sugere, um private rack é um rack completo só pra você, onde você pode hospedar seus próprios servidores. O rack dispõe de um link e uma quota de tráfego única, que você pode dividir da forma que quiser entre os servidores instalados nele. Dependendo do plano e das condições oferecidas, você pode fornecer as máquinas que são instaladas no rack (Você precisaria fazer com que as máquinas fossem montadas no exterior e entregues à empresa responsável pelo DC) ou simplesmente contratar servidores oferecidos pela própria empresa juntamente com o rack.

    KVM over IP: Um dos problemas em administrar um servidor dedicado é que fica impossível de resolver qualquer problema que desconecte seu servidor da rede. Se um problema no módulo que ativa a placa rede fizer com que ela pare de responder, ou um defeito qualquer na placa ou no switch da placa desconectar o servidor, ele simplesmente parará de responder e você precisará abrir um chamado de suporte para que a equipe do datacenter verifique o que aconteceu.

    Um KVM é um dispositivo que permite conectar várias máquinas a um único conjunto de teclado, mouse e monitor, de forma que você possa chavear entre elas. O KVM over IP é uma evolução da tecnologia, que faz com que o KVM seja conectado à rede e você possa acessar a interface local do seu servidor (incluindo o setup, opções de boot e o ambiente gráfico, caso ativo) remotamente, usando um applet java, ou outro software cliente:

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    Tela de acesso remoto do KVM

    O servidor é ligado ao KVM diretamente através dos cabos de vídeo, mouse e teclado, e não através da interface de rede. Isso permite que ele continue acessível através do KVM mesmo que a conectividade de rede seja perdida. Além de permitir solucionar problemas, o KVM permite que você reinstale o sistema operacional remotamente, caso necessário.


     

    Configuração do servidor

    Com exceção dos servidores "ready to go", ou promoções, você tem normalmente a opção de personalizar a configuração do servidor, com a opção de adicionar mais HDs, pagar por uma quota maior de tráfego, escolher o sistema operacional usado ou adicionar uma faixa maior de endereços IP, entre outras opções.

    A configuração básica do servidor, incluindo o processador é escolhida na tela inicial. Como você pode ver, os servidores mais baratos são montados usando processadores domésticos, como processadores Core 2 Duo ou Athlon 64 X2, ou até mesmo máquinas baseadas em processadores Pentium 4. Servidores baseados em processadores mais parrudos são progressivamente mais caros:

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    É importante notar que as máquinas oferecidas (seja qual for o datacenter) nem sempre são novas, por isso é importante evitar configurações baseadas em processadores antigos, ou com HDs de capacidade muito baixa, já que provavelmente se trata de máquinas já com alguns anos de uso, onde a possibilidade de surgirem problemas de hardware é maior. A exceção fica por conta dos HDs SAS e SCSI de alto desempenho, que utilizam platters de 2.5" e possuem uma capacidade reduzida, mesmo nos modelos recentes.

    Depois da escolha inicial, você tem a opção de adicionar itens adicionais e upgrades no servidor. Algumas das escolhas ao livres, como a distribuição Linux a utilizar, enquanto outras implicam em taxas adicionais. Existem também taxas de licença caso você decida utilizar o Red Hat Enterprise, já que ele não é gratuito, daí a popularidade do CentOS em serviços de hospedagem:

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    Uma questão importante em qualquer servidor dedicado são os backups. Em todos os planos Unmanaged, a empresa responsável se limita a substituir componentes do servidor em caso de defeito, mas não se responsabiliza pelos dados armazenados. Ou seja, se o HD falhar, irão substituir por outro e reinstalar o sistema, de forma a colocar o servidor de volta em serviço, mas os dados armazenados serão perdidos, a menos que você tenha um backup atualizado. Devido a isso, o uso de um segundo HD (para a criação de um array RAID 0, ou simplesmente para armazenar um backup atualizado) é fortemente recomendável, a menos que você pretenda fazer um backup completo dos arquivos do servidor armazenado localmente. Existe também a opção de utilizar um plano de backup, onde você tem acesso a uma SAN ou outro tipo de unidade de armazenamento remoto e paga pelo volume de dados armazenado.

    Continuando, temos a quota mensal de transferência. Uma das vantagens em hospedar seu servidor no exterior é que os links são mais baratos e por isso as quotas são muito mais generosas. Normalmente estão disponíveis 1000 GB mensais ou mais mesmo nos planos mais baratos e você pode aumentar a quota de tráfego pagando um valor adicional:

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    Como citei anteriormente, uma quota de tráfego de 2000 GB corresponde a um link de 6.17 megabits usado 24 horas por dia, por isso, para evitar gargalos nos horários de pico, seria interessante usar uma porta de 100 megabits. Note que usar uma porta mais rápida em um servidor que disponibiliza grandes arquivos torna necessário monitorar o volume de dados transferidos para que a quota mensal de tráfego não seja ultrapassada. Em alguns casos, um plano unmetered (transferência ilimitada) pode ser interessante.

    Embora a escassez de endereços IPV4 esteja se acentuando, muitas empresas ainda oferecem a opção de contratar uma faixa maior de endereços IP, como no ThePlanet, onde você pode pagar uma taxa extra mensal para ter uma volume maior de endereços IP disponíveis:

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    Os endereços IP adicionais são muito úteis caso você pretenda utilizar o VMware Server, o Xen, o Virtuozzo ou outro software de virtualização, já que você pode hospedar um número maior de máquinas virtuais no mesmo servidor, cada uma com um endereço IP válido. Hoje em dia, não é incomum que um servidor dedicado hospede 10 ou 20 máquinas virtuais, muitas vezes sublocadas para clientes diferentes.

    O mais comum é que servidores dedicados utilizem uma faixa de 8 endereços com máscara 255.255.255.248. Nessa configuração, apenas 3 bits do endereço são reservados ao endereçamento dos hosts (convertendo 255.255.255.248 para binário, você teria 11111111.11111111.11111111.11111000).

    Três bits permitem 8 combinações, mas o primeiro e o último endereço são reservados ao endereço da rede e ao endereço de broadcast, fazendo com que apenas 6 endereços possam realmente ser utilizados. Destes, mais um é sacrificado, pois é atribuído ao default gateway (sem o gateway o servidor não acessa a Internet), de forma que no final apenas 5 endereços ficam realmente disponíveis.

    Você pode se perguntar qual é a necessidade de ter uma faixa com 5 endereços utilizáveis se o servidor é apenas um. Mesmo descartando o uso dos endereços adicionais por máquinas virtuais hospedadas no servidor, existem diversos motivos para o uso de uma faixa inteira de endereços em vez de um único IP isolado.

    A primeira é que, ao configurar um servidor dedicado, você precisa de uma faixa de endereços inteira para poder configurar o DNS reverso, um pré-requisito para que seus e-mails não sejam rotulados como spam por outros servidores. Ao registrar um domínio, você precisa fornecer os endereços de dois servidores DNS, que responderão por ele. Em vez de ter dois servidores, você pode utilizar outro dos seus 5 endereços disponíveis para criar um alias (apelido) para a placa de rede do seu servidor dedicado e assim poder configurá-lo para responder simultaneamente como servidor DNS primário e secundário, eliminando assim a necessidade de utilizar dois servidores separados. Novamente, essa configuração é possível apenas caso o servidor possua uma faixa de endereços própria.

    No final, a configuração de rede de um servidor dedicado acaba sendo algo similar a isto:

      Endereço IP: 72.232.35.106
      Máscara: 255.255.255.248
      Gateway: 72.232.35.105
      Endereço da rede: 72.232.35.104
      Endereço de broadcast: 72.232.35.111
      Alias da placa de rede (para o DNS secundário): 72.232.35.107
      Endereços vagos: 72.232.35.108, 72.232.35.109 e 72.232.35.110

    Na maioria dos planos, existe a opção de incluir um painel de controle, como o cPanel ou o Plesk. Eles simplificam a administração dos sites hospedados, automatizando a configuração do Apache, Bind, MySQL e outros serviços. Estas são soluções comerciais, que adicionam uma taxa extra na mensalidade do plano, correspondente ao pagamento das licenças:

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    Pesquisando nas matérias antigas do site, você encontra um tutorial sobre o ISPConfig, que é uma opção de painel de controle open-source. Por enquanto, vamos nos concentrar na configuração manual dos serviços, que é um pré-requisito para qualquer administrador.

    Depois de concluir o pedido, você receberá um ou dois e-mails de confirmação e, depois de concluída a instalação do servidor, receberá mais um contato, com o endereço IP e os logins de acesso ao servidor, via SSH. Depois de realizar o primeiro login, é essencial trocar as senhas de acesso, já que sempre existe uma pequena possibilidade de as senhas temporárias, enviadas via e-mail terem sido interceptadas de alguma forma. É importante também tomar nota dos contatos de suporte, especialmente da equipe de plantão, que pode ser acionada caso você precise de um hard-reboot do servidor, por exemplo.

    O servidor vem, por padrão, com um conjunto básico de pacotes instalados e o SSH habilitado. O resto da configuração você faz remotamente, instalando os pacotes desejados e editando os arquivos de configuração via SSH. É por isso que a maioria dos utilitários de administração de servidores, como o webmin, são acessados através de interfaces via navegador, que você pode acessar de qualquer lugar.

    Embora não seja comum, nem muito recomendável, devido ao grande uso de recursos do servidor, também é possível rodar utilitários gráficos. Nesse caso, você vai precisar instalar o X e algum ambiente gráfico no servidor, e acessar o ambiente gráfico via VNC ou NX Server. Entre os dois, o NX é o que oferece o melhor desempenho e menor uso de link.


     

    Servidores virtuais (VPS)

    Um VPS (Virtual Private Server) é um servidor semi-dedicado, que roda sobre uma máquina virtual, dentro do Virtuozzo, VMware Server, Xen, ou outro sistema de virtualização. Isso reduz bastante os custos para a empresa de hospedagem, já que um único servidor pode hospedar vários VPS, com os recursos de hardware sendo compartilhados entre eles.

    Um VPS permite obter a maior parte dos recursos de um servidor dedicado pagando substancialmente menos. Você continua tendo uma instalação completa do sistema, onde tem acesso de root e pode instalar os serviços desejados; a principal diferença é que você dispõe de menos memória RAM e menos espaço de armazenamento e tem garantido o uso de apenas uma parcela do poder de processamento do servidor.

    Para servidores de baixo utilização, como quando você precisa de segurança para hospedar o site da empresa, mas não precisa de muitos recursos de máquina, um VPS pode ser satisfatório, mas para servidores que hospedam sites movimentados, com grandes bancos de dados, um servidor dedicado pode ser mais adequado.

    Os planos de VPS são bem mais comuns que os de servidores dedicados, pois inúmeras empresas locam servidores e revendem servidores virtuais. Com isso, existe uma variação muito grande na qualidade dos planos.

    Os planos de VPS de maior qualidade custam a partir de US$ 40, com 256 MB de RAM, 40 GB ou mais de armazenamento e garantia de disponibilidade de pelo menos 10 ou 20% dos recursos do processador, independentemente do uso dos demais servidores virtuais hospedados na mesma máquina. Em geral, você tem a opção de personalizar a configuração, pagando uma taxa adicional pelos upgrades desejados:

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    Desconfie de planos muitos baratos, sobretudo quando oferecidos por empresas pequenas, sem datacenter próprio, pois é provável que a empresa esteja abusando o overselling, ou seja, ativando um número muito grande de máquinas virtuais por servidor, o que acaba comprometendo a qualidade do serviço.


     

    Shared hosting

    Um plano de shared hosting é um plano de hospedagem "simples", onde você tem acesso a uma conta de FTP, ou uma interface web para dar upload dos arquivos do site, tem uma quota de espaço e uma quota máquina de transferência e paga por domínio hospedado. Um mesmo servidor pode hospedar, literalmente, milhares de sites, o que reduz brutalmente os gastos com máquinas e espaço utilizado no datacenter.

    Além dos planos de hospedagem gratuita, existem inúmeras opções de hospedagem com quotas generosas de transferência e preços extremamente baixos, incluindo planos "milagrosos", como no caso de serviços como o http://dreamhost.com/ e o http://www.bluehost.com/:

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    Estes planos são possíveis devido ao uso de overselling, onde são vendidos um volume muito maior de planos do que o suportado pela estrutura de hospedagem, partindo da premissa de que apenas alguns dos usuários realmente consumirão todos os recursos oferecidos pelo plano, assim como no caso de serviços como o Gmail.

    Afinal, são poucos os sites que possuem mais do que alguns milhares de visitas por dia e atividades com potencial para consumir muita banda, ou espaço em disco, como o uso das contas para armazenar backups, ou a disponibilização de arquivos ISO, softwares, filmes ou material ilegal é proibido pelos termos de uso. Vender mil pacotes com 500 GB de espaço e 5 TB de transferência por US$ 5.95 mensais não é problema se, combinados, todos os usuários forem consumir apenas 2 TB de espaço em disco e usar apenas 50 TB de tráfego, por exemplo.

    Em geral, também não existe muita garantia com relação à disponibilidade ou à qualidade do serviço (verifique os termos de uso), o que leva a resultados variados em termos de satisfação dos clientes.

    Os planos de shared hosting são uma espécie de produto de consumo dentro dos serviços de hospedagem, já que são planos prontos, onde você precisa apenas dar upload das páginas do site. Você mesmo pode montar uma empresa de hospedagem, utilizando alguns servidores dedicados e conquistar seu espaço oferecendo serviços personalizados.